A BÊNÇÃO DAS HORAS

Já vai longe o tempo em que a Humanidade não conhecia a ditadura do relógio e conduzia a vida mirando o sol e as estrelas.

O que mais diferencia a sociedade Ocidental atual das sociedades mais antigas da Europa e do Oriente é o conceito de tempo. Na Antiguidade, o homem do campo trabalhava em harmonia como os elementos, como um artesão, durante tanto tempo quanto julgasse necessário. O tempo era visto como um processo natural de mudança. Em lugar algum do mundo antigo ou da Idade Média, havia mais do que uma pequeníssima minoria de homens que se preocupavam realmente em medir o tempo em termos de exatidão matemática.

O homem ocidental, dito civilizado, escraviza-se em um mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações.

Mais uma vez, nos defrontamos com o pernicioso assumindo as rédeas do processo material da evolução do mundo. Se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o Capitalismo Industrial nunca poderia ter se desenvolvido. “O relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado, ou do que qualquer outra máquina” (George Woodcock – in A Rejeição da Política, 1972).

O relógio surgiu no século XI, como um inocente e despretensioso mecanismo para fazer com que os sinos dos monastérios tocassem a intervalos regulares.

Segundo Lewis Mumford, o relógio é a máquina mais importante da Idade da Máquina, pela enorme influência que exerceu sobre a vida profissional e os hábitos do homem. O critério da produção passou a ser de quantidade e não de qualidade e já não há mais o prazer do trabalho pelo trabalho.

Só quando se dispõe a viver em harmonia com sua espiritualidade e com sua inteligência é que o homem consegue deixar de ser um escravo do relógio.

Quase sempre, na história da humanidade, o homem se deixa escravizar por suas próprias invenções. Usa-as para saciar seus egoísmos e suas paixões, em detrimento do progresso social. O mal maior é usá-las contra si mesmo, materializando-se, embrutecendo-se, afastando-se da causa maior da sua existência.

Hoje, nos encontramos aqui, imersos nos prazeres ou na ociosidade, no franco desperdício das horas que nos são dadas para crescer. O que nos sobra da ferrenha luta diária pelos bens materiais, muitas das vezes supérfluos, entregamos aos prazeres mundanos, às edificações baratas dos nossos castelos de areia, que ruem ao menor soprar de vento.

É chegado o tempo de nos conscientizarmos da bênção das horas. Cada segundo de nossa existência é irrecuperável e intransferível. O que deixamos de fazer não tem mais volta, e não poderá ser feito por outrem. E cada um desses segundos nos será cobrado e debitado na escalada evolutiva. A Humanidade atravessa seu grande momento de espiritualização e qualquer quinhão que se puder acrescentar à essa marcha, será benéfico. O mundo tem sede de descobrir as coisas do Espírito. Finalmente a humanidade está próxima de encontrar as respostas e aquietar-se de suas angústias, seus medos e suas dúvidas.

Hoje, a Ciência sucumbe gradativamente a todos os conceitos não materialistas trazidos pela recém-nascida Física Quântica. Hoje, a mídia já não rotula o espiritualista de charlatão, lunático ou ignorante. Hoje, o mundo nos olha por outro prisma e começa a ver o que já víamos há muitos séculos.

Esta é a hora… a hora da busca, do estudo e do trabalho, para que, com conhecimento e dinamismo, possamos dar bons frutos e ser dignos da Nova Terra que nos espera.

Conceição Vitor

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Maria da Conceição Vitor