A CONSCIENTIZAÇÃO DA ETERNIDADE

Diversificadas são as teorias e inúmeras as interpretações para a origem da vida e a evolução dos seres. Algumas admitem um Deus criador de tudo, outras sustentam que diversos deuses criaram diferentes coisas e disputaram entre si o controle do mundo. Há as que acreditam que a origem da vida foi o nada, o caos, sem um criador. Segundo o Budismo, não houve início. Tudo que existe é regido por uma lei eterna e o processo de criação nunca teve início nem terá fim.

Cada cultura possui suas próprias crenças sobre a criação do mundo e, dificilmente, admitem descobertas e mudanças que as venham contestar. As provas de que o homem evoluiu a partir de um ancestral símio, por exemplo, são muito fortes, mas a ideia provocou polêmica e contestações por parte, principalmente, das culturas fortemente religiosas. Alfred Wallace, ao propor que “enquanto os seres humanos (corpos) realmente passaram por uma longa evolução, o Espírito humano veio de alguma fonte sobrenatural”, amenizou o impacto da revelação.

Com o tempo, as diversas teorias vão sendo aceitas ou desbancadas, dependendo se reúnem ou não provas definitivas a seu favor. Em virtude de processar-se de maneira extremamente lenta, em geral não percebemos a atuação da evolução que ocorre incessantemente a nossa volta.

O naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), com o seu livro “A Origem das Espécies”, tornou respeitada a teoria da evolução, ao atribuir-lhe provas consistentes. Antes dele, Lamark já escandalizava o mundo ao desafiar a autoridade da Igreja e do Rei com a sua Teoria da Evolução (1790).

Outros tantos estudiosos ilustraram com suas pesquisas. Em 1798, o reverendo Thomas Malthus publicou o “Ensaio sobre o Princípio da População” e o próprio Darwin defendeu, mais tarde, a teoria da “Seleção Sexual”. Em 1802, surgiu a chamada “Teologia Natural”, com a publicação do livro “Teologia Natural ou Provas da Existência e dos Atributos de Deus”, do religioso inglês William Paley, contraditória às teorias naturalistas, que defendem a concepção de que as adaptações dos seres vivos ao meio e ao clima sofrem influenciações do passado. Na concepção de Paley, as adaptações são perfeitas e ocorrem naturalmente. Em 1858, Alfred Wallace publicou a teoria da seleção natural, subscrevendo as ideias de Darwin, até então não divulgadas, mas já concluídas, desde 1838.

A teoria da evolução assumiu um caráter polêmico e foi extensamente combatida por motivos religiosos, e somente veio despertar maior credibilidade no século XIX, com o advento da sociedade industrial, onde a ideia de progresso ficou melhor esclarecida. Surgiram, nessa época, os estudiosos Thomas Huxley e Ernest Haeckel, seguidores de Darwin, mas que associavam a evolução ao progresso.

Mais tarde, Gregor Mendel (1822-1884) dedicou-se ao estudo das características excludentes, dando origem ao “Mendelismo” e criando, em 1909, a palavra “gene”, para designar partículas hereditárias no processo da evolução. As ideias de Mendel subscreviam as de Darwin, surgindo daí a teoria do “Neodarwinismo”.

Finalmente, o século XX despertou com a descoberta do DNA e as proteínas que ele produz, contendo as provas vitais da evolução e do princípio da vida.

Com as teorias darwinianas e seus seguidores, caiu por terra o conceito de que Deus criara cada espécie definitivamente, para se adaptar às condições de um determinado lugar. No entanto, todas as ideias a respeito da evolução são frequentemente questionadas por outros cientistas, porque o conhecimento é infinito, portanto, mutável. A Ciência engatinha sua lenta caminhada em busca da origem e do fim das coisas. Já dizia o filósofo grego Aristóteles que “só quando se conhece a origem de alguma coisa é que ela pode ser inteiramente compreendida”. E essa parece ser a luta inconsciente do homem do final do século XX: buscar a origem de si mesmo e, a partir daí, descobrir a finalidade da sua existência. Descobrir que seu Ser não se limita a um corpo perecível, sofrendo mutações genéticas, mas que possui uma extensão muito maior e eterna, regida por uma consciência cósmica perfeita e imutável, responsável por tudo que existe.

Inútil é, portanto, procurar o fim das coisas, porque a vida é um eterno recomeço. A Natureza é infinita, o Universo é infinito, o saber é infinito, o Ser é infinito, porque tudo vem de Deus, que não cessa de criar.

A consciência desse constante recomeçar, recriar, renascer é o grande trunfo da Humanidade para conquistar a sua evolução espiritual. Ao deparar com a realidade de que nada que vem do Criador é perecível, o homem forçosamente irá rever os seus conceitos e os seus valores a respeito do mundo e dos seres. Dessa tomada de consciência dependerá o futuro da Terra e de seus viventes, hoje, relegados a segundo plano. Os valores materiais e perecíveis ainda são o ópio que vela as mentes e se fazem deleitosos para as paixões inferiores, para os interesses mundanos. O homem continua pequeno no seu pensar e no seu agir, deixando-se dominar pela tirania do ego, desde sempre o maior cancro da redenção humana.

Timidamente, porém, os caminhos florescem. Passos indecisos ainda esbarram na ganância, no jogo do poder e no interesse político-financeiro-religioso. São entraves arraigados, plantados ao longo da árdua e morosa caminhada, desde o Sapiens. A ferocidade das cavernas persiste, agredindo a Natureza, o desvalido, o mais fraco, com o agravante de que, hoje, somos conhecedores da moral social, da qual não dispunha o homem das cavernas. A moral social deveria humanizar-nos, no entanto, o homem atual não agride a Natureza por ignorância ou por questão de sobrevivência, mas por ganância. Não se mata apenas para alimentar-se ou autodefender-se, mas por prazer e covardia, exalando desnecessária violência gratuita. É a nossa condição de animais inferiores, travestidos de civilizados, gritando mais alto.

A mansuetude, a dignidade e a humildade do Cristo ainda são mais sonho do que meta para a Humanidade Terráquea. É tão longo o caminho! Mas o que é o tempo, se comparado ao infinito, ao que não se acaba, ao que não tem fim, além de um pequeno detalhe?

Conceição Vitor

Projeto ÁGUIA: junte-se a nós!

Inscreva-se para ser notificado de nossas publicações, cursos e eventos. 

Responsive image

Maria da Conceição Vitor