É POSSÍVEL SER FELIZ

Infelizmente, o homem perdeu-se a si mesmo no afã do ter, e do ter sempre mais. Isso o tem tornado uma ilha, alheio a quase tudo que não esteja inserido em seu próprio egoísmo. Alheio à miséria do mundo, alheio à carência dos seres, alheio ao trabalho pela redenção humana e do Planeta, alheio aos que a vida lhe legou como herança e responsabilidade, alheio à sua própria condição de eterno aprendiz, refratário a tudo que diz respeito à construção edificante do caminho da humanidade.

O progresso tecnológico veio atestar sua inteligência, aproximar distâncias, porém, distanciou as proximidades. O homem ocidental do século XX tem extrema dificuldade em conviver consigo e deixou-se viciar pela necessidade do que está fora de si mesmo. Tornou-se incapaz de estar só, de ouvir a voz do silêncio ou se encantar com a melodia dos ventos. Quando não está imerso nos complicados e apaixonantes jogos do computador, está imantado à televisão ou ao celular, desesperadamente agarrado ao exterior e dependente de coisas e pessoas como condição de sobrevivência.

É preciso perdermos o medo de convivermos conosco, de introspectarmo-nos, conhecermo-nos e bastarmo-nos, porque a felicidade e o equilíbrio não estão em outro lugar que não dentro de nós. Não devemos reduzir nossos desejos e aspirações à consumação de uma ligação afetiva ou de uma realização material. “Há ideais muito mais importantes, como a nossa realização enquanto filhos de Deus, pelo esforço constante e consciente de aprendizado e aprimoramento moral”.

Vivemos o tempo todo apegando-nos a coisas, pessoas, lugares, como se tudo e todos estivessem à nossa disposição, durante toda a existência. Os medos que nos angustiam, os fantasmas que nos afligem, quase sempre, são o medo das perdas: perda da mocidade, da beleza, do dinheiro, da saúde, do prestígio, do poder, do emprego, dos entes queridos… Esse apego, que nos escraviza, nos torna capazes das maiores atrocidades contra nós mesmos e contra outrem, para manter o estado de coisas que satisfaz nosso egoísmo. O sentimento de posse, que nada mais é do que a institucionalização do apego material, é o que nos torna infelizes e angustiados perante a vida. Ninguém é dono de coisa ou pessoa alguma, a não ser de sua própria consciência, e “a consciência de si mesmo é o nível mais nobre da consciência humana” (Divaldo Franco). Somos tão somente associados na Obra Divina. O que é do mundo fica no mundo, então por que nos apegarmos ao que teremos que deixar? Somos eternos enquanto espíritos, não enquanto encarnados, e só nos é legado como fortuna aquilo que somos; o que temos é perecível. A matéria e as paixões são perecíveis. A matéria e as paixões apenas nos são úteis quando facilitam e temperam nossa existência corporal, contribuindo para a nossa caminhada evolutiva, porém, sob o completo domínio de nossa essência.

Todo excesso é pernicioso, todo exagero é doentio, e o homem só se torna dono do seu destino quando adquire o hábito de controlar suas paixões.

No advento da Nova Era, é preciso aprender a crescer, e crescer é conquistar, gradativamente, todas as nossas potencialidades. Conquistar potencialidades é cultivar a autoestima, é reconhecer-se e amar-se para ser capaz de irradiar amor, é desprender-se de apegos e idolatrias, é deixar de estar feliz para ser feliz, é ser feliz pela vida que pulsa dentro e fora de nós, é ser capaz de “viver no mundo sem ser do mundo”, é cativar pelo amor sem tornar-se cativo pelo egoísmo, é, enfim, “viver como possuindo tudo, nada tendo; com todos e sem ninguém” (Paulo de Tarso).

Conceição Vitor

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Maria da Conceição Vitor